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Amar é um verbo.

Os pensamentos profundos e a alma pesada.  Tudo passa numa velocidade a mil pela minha mente, tudo é processada de maneira detalhada e numa velocidade da luz. Com conteúdo profundo e verdadeiro, sentimentos tão expostos comigo mesma, extremamente expostos. Sei exatamente o que quero, o que desejo, o que almejo.  Nesse momento, filtro minha própria vontade e meus pensamentos tentando me expressar de forma direta mas com profundidade. Expor tudo isso que passa em minha cabeça, tanta coisa e coisas tão queridas por mim. Sinto algo que pesa dentro do meu peito, será só os hormônios femininos pregando uma peça em mim (provável que um pouco sim) ou minha voz interior gritando dentro de mim? Me sinto pronta para dar um passo, um salto, de maturidade, de honestidade comigo mesma e com minhas vontades, meus sonhos, meus anseios.  Vontade de correr e me sentir livre disso, porque embora eu deseje tanto parece não querer chegar, toca meus pés e depois some em seguida...

Smile from ear to ear.

Sorriso de orelha à orelha, agora, quando penso em você. Como uma brisa leve você apareceu, e insiste em ficar no meu pensamento. Estava lá eu, não esperando nada, quando de repente, quem aparece na minha frente? Você. E eu achei que estava vendo coisas. Um cumprimento gentil, um sorriso sincero e um olhar sorridente absurdamente amável. E conversas tão boas. Ah, eu queria que fosse só eu e você, e o tempo parado, e uma conversa infinita e entusiasmada. Então, te conheci - pelo menos espero ter começado - E o que eu pensava que você era se materializou, já não era mais uma ideia solta no ar. Eu precisava disso. E eu sorrindo de orelha a orelha. E eu sinto querer sorrir assim mais e mais. Eu não tenho medo de me apaixonar, Eu me sinto tão bem quando eu estou amando.

Calor e frio.

Calor e frio. Duas polaridades que as pessoas também podem ter. Resta saber se é uma escolha ou hábito adquirido, influenciado pelo meio. Começo a parar e perceber os outros (já faço isso há um tempo), e vejo como as pessoas estão frias umas com as outras. Pouco tato. Cada vez menos um interesse real por quem se apresenta do outro lado da mesa, da roda, do banco, por quem está ao nosso lado. Cada vez menos ainda conversas reais. Interesse genuíno, sem interesse que seja interesseiro, interesse na pessoa única e real que ali está. Já perco as contas de momentos, eventos, lugares aonde vou e percebo nas pesssoas nenhum interesse em fazer novos amigos, em fazer amigos de verdade, em conhecer a pessoa (no sentido que "conhecer" realmente é). São as superficialidades e relacionamentos líquidos - assim como a modernidade líquida de Bauman - que esbarro e esbarram em mim. E o exercício do encontrar o outro e tentar conhecê-lo, e quem sabe o outro ser recíproco nessa mesma lin...

Fruto maduro.

Tenho tentado me cultivar e cultivar o outro o máximo que posso, dentro do meu limite humano - limite esse limitado, como o nome já diz. Tarefa árdua, ouso dizer. Mas estou plantando e me sinto colhendo frutos maduros, macios e deliciosos várias vezes. Me sinto na minha capacidade total, já expandindo no meu trabalho, me dedico tanto aos outros que às vezes tenho que parar e pensar: "mas não precisa de ser tanto assim. Paciência!" É um sentimento complexo e completo até mesmo, de repente sou pertencente. E oa outros, mesmo que um pouco, também à mim. É uma boa sensação, claro. Às vezes sorrio no trabalho, outras tantas são risadas mesmo, porque sinto algo mais do que superficial, é algo profundo.  Possivelmente amadurecimento, sentimento-ação assustador, doloroso e ao mesmo tempo profundo e que faz a gente se sentir pertencente. É como se o universo estivesse dentro de mim, e talvez ele esteja.

Amar (s.m.)

amar verbo 1 . transitivo direto e pronominal demonstrar amor a. "amava-a muito" 2 . pronominal ter demasiado amor-próprio. 3 . transitivo direto ter grande afeição ou devoção por; adorar. "a. a Deus, a pátria". Essa é a definição dada pelo dicionário.

Aquele velho amigo.

Aquele velho amigo chamado medo. Que aparece quando quero tomar uma atitude capaz de alterar o padrão até agora. Vontade de me demitir? Sim, diversas vezes, muitas vezes. É cansativo, não permite crescer profissionalmente, não permite criatividade, não quero fazer isso por muito tempo. Mas é melhor do que nada, do que me deparar com tantos nãos, ou nada.

Exercício.

Acorda, bebe café, vai para trabalho, dedica-se, motiva-se, mesmo não se sentindo realizada, mais café. Trabalha e dedica-se, conversa (com muitas palavras) e conversa (mesmo sem palavras), observa, analisa e aprende. Se expõe, recebe, filtra, absorve, mais café ou chá. Aprende e doa, e dá, e compartilha. Silêncio, sorri, pergunta, escuta e escuta, pergunta mais, atenta, observa, analisa, aprende. Mais chá, sorri, ama, melhora, piora, perde, ganha. Feliz, triste, sorri, ama. Dialoga, conversa, olha, reflete, aprende, com ela mesma, com os outros. Sorri, perde e ganha, detesta e ama.

Vazio que preenche.

O vazio pode preencher, chega a ser um paradoxo, não? As pessoas têm medo de admitirem que são sensíveis, que possuem medos, que são fracas e fragilizadas. Que se sentem sozinhas mesmo com uma sala ou mesa de bar cheias de pessoas, pessoas essas que também se sentem sozinhas e em momento de superficialidade ali, diante de outras. As pessoas têm medo de se abrirem, de serem elas mesmas, têm medo de intimidade e de pedir desculpa, de perdoar e amar, têm medo de serem tudo aquilo que não querem ser. Têm medo delas mesmas, do que está dentro delas.

Areia ralada.

Meu joelho direito exibe uma leve cicatriz, algo que eu não nunca tive antes. Ralei o mesmo há uns anos atrás, e foi um ralo bem "ralado". Há umas semanas atrás ralei o joelho esquerdo no mesmo local que o direito. Um ralo mais leve, mas que ainda apresenta marcas. Foi num evento super divertido, na praia, ralei na areia do mar enquanto jogava ping pong. Pés no oceano, as ondas vinham e íam, refrescando, energizando. Os fatos da vida podem também deixar cicatrizes. Menores, maiores. Ou lembranças. E minha mente sempre atenta dificilmente se esquece delas.

Ahoy!

Viajar aberto à estar pronto ao que der e vier é mesmo algo bom. Estar pronto para o que o local de hospedagem oferece e principalmente não oferece, se preparar para lidar com os costumes de outros (sejam bons ou ruins), se adatar para fazer as coisas sozinho quando mais ninguém quiser te acompanhar. É uma forma de apendizagem, de aproveitar para aprender a ser mais útil ao voltar para casa, no que for preciso, mais disposto a atuar no que for necessário. É uma boa sensação estar mergulhado nas experiências da viagem, estar mergulhado em estar presente ali. E também se deixar melhorar no que pode ser melhorado a partir desse contato. Pelo jeito me adapto as situações de viagem melhor do que pensava, e parece que estando sozinha me adapto melhor ainda e mais rápido. Pelo menos estando como um peixe a boiar pela praia e com a areia quente nos pés.