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Calor e frio.

Calor e frio. Duas polaridades que as pessoas também podem ter. Resta saber se é uma escolha ou hábito adquirido, influenciado pelo meio. Começo a parar e perceber os outros (já faço isso há um tempo), e vejo como as pessoas estão frias umas com as outras. Pouco tato. Cada vez menos um interesse real por quem se apresenta do outro lado da mesa, da roda, do banco, por quem está ao nosso lado. Cada vez menos ainda conversas reais. Interesse genuíno, sem interesse que seja interesseiro, interesse na pessoa única e real que ali está. Já perco as contas de momentos, eventos, lugares aonde vou e percebo nas pesssoas nenhum interesse em fazer novos amigos, em fazer amigos de verdade, em conhecer a pessoa (no sentido que "conhecer" realmente é). São as superficialidades e relacionamentos líquidos - assim como a modernidade líquida de Bauman - que esbarro e esbarram em mim. E o exercício do encontrar o outro e tentar conhecê-lo, e quem sabe o outro ser recíproco nessa mesma lin...

Fruto maduro.

Tenho tentado me cultivar e cultivar o outro o máximo que posso, dentro do meu limite humano - limite esse limitado, como o nome já diz. Tarefa árdua, ouso dizer. Mas estou plantando e me sinto colhendo frutos maduros, macios e deliciosos várias vezes. Me sinto na minha capacidade total, já expandindo no meu trabalho, me dedico tanto aos outros que às vezes tenho que parar e pensar: "mas não precisa de ser tanto assim. Paciência!" É um sentimento complexo e completo até mesmo, de repente sou pertencente. E oa outros, mesmo que um pouco, também à mim. É uma boa sensação, claro. Às vezes sorrio no trabalho, outras tantas são risadas mesmo, porque sinto algo mais do que superficial, é algo profundo.  Possivelmente amadurecimento, sentimento-ação assustador, doloroso e ao mesmo tempo profundo e que faz a gente se sentir pertencente. É como se o universo estivesse dentro de mim, e talvez ele esteja.

Amar (s.m.)

amar verbo 1 . transitivo direto e pronominal demonstrar amor a. "amava-a muito" 2 . pronominal ter demasiado amor-próprio. 3 . transitivo direto ter grande afeição ou devoção por; adorar. "a. a Deus, a pátria". Essa é a definição dada pelo dicionário.

Aquele velho amigo.

Aquele velho amigo chamado medo. Que aparece quando quero tomar uma atitude capaz de alterar o padrão até agora. Vontade de me demitir? Sim, diversas vezes, muitas vezes. É cansativo, não permite crescer profissionalmente, não permite criatividade, não quero fazer isso por muito tempo. Mas é melhor do que nada, do que me deparar com tantos nãos, ou nada.

Exercício.

Acorda, bebe café, vai para trabalho, dedica-se, motiva-se, mesmo não se sentindo realizada, mais café. Trabalha e dedica-se, conversa (com muitas palavras) e conversa (mesmo sem palavras), observa, analisa e aprende. Se expõe, recebe, filtra, absorve, mais café ou chá. Aprende e doa, e dá, e compartilha. Silêncio, sorri, pergunta, escuta e escuta, pergunta mais, atenta, observa, analisa, aprende. Mais chá, sorri, ama, melhora, piora, perde, ganha. Feliz, triste, sorri, ama. Dialoga, conversa, olha, reflete, aprende, com ela mesma, com os outros. Sorri, perde e ganha, detesta e ama.

Vazio que preenche.

O vazio pode preencher, chega a ser um paradoxo, não? As pessoas têm medo de admitirem que são sensíveis, que possuem medos, que são fracas e fragilizadas. Que se sentem sozinhas mesmo com uma sala ou mesa de bar cheias de pessoas, pessoas essas que também se sentem sozinhas e em momento de superficialidade ali, diante de outras. As pessoas têm medo de se abrirem, de serem elas mesmas, têm medo de intimidade e de pedir desculpa, de perdoar e amar, têm medo de serem tudo aquilo que não querem ser. Têm medo delas mesmas, do que está dentro delas.

Areia ralada.

Meu joelho direito exibe uma leve cicatriz, algo que eu não nunca tive antes. Ralei o mesmo há uns anos atrás, e foi um ralo bem "ralado". Há umas semanas atrás ralei o joelho esquerdo no mesmo local que o direito. Um ralo mais leve, mas que ainda apresenta marcas. Foi num evento super divertido, na praia, ralei na areia do mar enquanto jogava ping pong. Pés no oceano, as ondas vinham e íam, refrescando, energizando. Os fatos da vida podem também deixar cicatrizes. Menores, maiores. Ou lembranças. E minha mente sempre atenta dificilmente se esquece delas.